Resenhas

RESENHA CRÍTICA: A SHORT HISTORY OF TRUTH : CONSOLATIONS FOR A POST TRUTH WORLD

EDOMM HEZROM DA HORA DE DEUS SOUZA

BAGGINI, Julian. A short history of truth: consolations for a Post Truth World.  1st Edition, Publisher Quercus ,2017.

Julian Baggini nasceu no Reino Unido em 1968. É doutor em filosofia pela universidade de Londres. É um dos jovens filósofos com maior projeção. Colabora com o jornal The Guardian, The independente, The Observer e Radio 4, também em revistas como Psychologies e Prospect, e publica semanalmente na coluna do The Herald . É co-fundador da revista trimestrais The Philosopher’s Magazine. Autor de uma séries de livros entre os quais se destacam “ O porco que queria ser presunto” e “Penso, logo existo?  Conforme Julian, todos nós temos a sensação de que a verdade é algo essencial para se viver bem. Se sua vida foi revelado ter sido construída em nada a não ser mentiras, é como se ela não fosse real.
Paris é a capital da França, George Whashington foi o primeiro presidente dos Estados Unidos, a água é H2O… Há inúmeras verdades como essas, que apenas idiotas ou acadêmicos obtusos negaria. Julian acredita que a verdade deixou de ser claro ou simples. De fato, não é incomum ouvir de pessoas negar que existe tal coisa como a verdade, enfim, apenas opiniões: o que é verdadeiro para você e o que é verdadeiro para mim. O problema não é que não possamos entender adequadamente o que significa a “verdade”. Para fins práticos, é difícil melhorar a definição de Aristóteles: “dizer do que é, que é, e do que não é, que não é, é verdadeiro; dizer do que é, que não é, e do que não é, que é, é o falso.”
Se isso parecer óbvio, talvez seja porque não há nada de misterioso sobre o sentido comum da verdade. Nosso problema não é principalmente com o que a verdade significa, mas como e por quem a verdade é estabelecida. A verdade costumava parecer simples, porque era fácil assumir que a maioria do que pensávamos ser verdade era realmente verdade, que as coisas eram como pareciam, que a sabedoria transmitida pelas gerações era intemporal.
O mundo não está pronto nem disposto a despedir-se da verdade- mesmo na política. Essa simplicidade foi corroída por uma variedade de forças diferentes. A ciência nos mostra que muito do que pensamos sobre o funcionamento do mundo é falso e que até estamos confusos com o funcionamento de nossas próprias mentes. O ritmo de seu desenvolvimento nos deixou questionando se a ortodoxia de hoje será a falácia ultrapassada de amanhã. A abertura das sociedades democráticas também permitiu à impressa livre expor mais e mais do que se passa nos corredores do poder, tornando-nos mais conscientes das maneiras pelas quais somos enganados. A verdade tornou-se muito menos clara e simples, mas não vejo evidencias de que a maioria das pessoas tenha deixado de acreditar nela. As pessoas permanecem tão indignadas com as mentiras como elas sempre foram.  Os filósofos pós modernistas podem resistir a linguagem da verdade nos seminários, mas eles morderão suas línguas ao ter que jurar, em uma corte, dizer a verdade, toda verdade, e nada mais do que a verdade, para defender eles mesmos, sabendo muito bem o que isso significa e porque é importante. É por isso que falar de uma sociedade “pós verdade” é um equívoco. Nós não estaríamos falando de pós-verdade se não pensássemos que a verdade importasse. O mundo não está pronto nem disposto a despedir-se da verdade, mesmo na política, onde , às vezes, parece que já se despediu. O antídoto não é um retorno ao conforto de verdades simples. O autor comenta, citando Bernard –Henri Lévy que as pessoas escutam cada vez menos à política e elas parecem menos preocupadas se os candidatos estão ou não falando a verdade ou não.
          Julian aponta que para reconstruir a crença no poder e no valor da verdade, não podemos esquivar sua complexidade. As verdades podem ser muitas vezes difíceis de entender, descobrir, explicar e verificar. Elas são incrivelmente fáceis de esconder, distorcer, abusar e torcer. Muitas vezes não podemos reivindicar saber com certeza saber a verdade. Precisamos fazer um inventário dos vários tipos de verdades reais e supostamente existentes, e entender como testar a sua autenticidade. Para Julian, o correto seria falar não em era da pós verdade, mas em um momento temporário de pós verdade, um tipo de convulsão cultural nascida do desespero que irá ceder , em algum momento, a uma certa medida de esperança. Julia diz que podemos nos proteger contra o uso errado do termo pós verdade, e ver que essa afirmação, de que vivemos nessa era, é a mais perniciosa inverdade de todas. Isso serve aos interesses daqueles que mais temem à verdade, clara e simples ou não. O autor conclui que para estabelecer a verdade é necessário virtudes epistêmicas, como modéstia, ceticismo, mente aberta a outras perspectivas, um espirito coletivo de investigação, disposição para confrontar os poderes, um desejo de criar verdades melhores, disposição de ter nossa mora guiada por fatos. Estas virtudes epistêmicas tornaram-se menos evidente no mundo da pós verdade, enquanto que seus vícios correspondentes tornaram-se mais comuns: excesso de confiança, cinismo, mente fechada, individualismo excessivo, passividade perante o poder, perda da crença de se criar melhores verdades, morais guiadas por instintos divorciadas da mente. O nosso maior consolo no mundo da pós verdade é que apesar de tudo isso, as virtudes epistêmicas não tem sido totalmente e explicitamente rejeitadas nem os vícios abraçados, abertamente. A maioria de nós ainda valoriza o que o falecido Bernard Wiliams idenfitcou como as duas chaves da virtude da verdade: sinceridade e exatidão. Esta duas virtudes sugerem o caminho no qual a verdade requer o relacionamento correto entre aqueles que buscam a verdade e o mundo: para ter os fatos certos precisamos ter a atitude, em relação aos fatos, certa.
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