Capítulo 1

Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos eleitos de Deus, peregrinos dispersos no Ponto, na Galácia, na Capadócia, na província da Ásia e na Bitínia, (1 Pedro 1:1)

Pedro foi escolhido por Deus para ser apóstolo. É interessante observar a sua vida nos evangelhos. O nome de Pedro é mencionado nos evangelhos mais vezes do que qualquer outro nome, exceto Jesus.  Pedro era um homem cheio de contradições. Ele fez uma grande declaração de que Jesus era o Cristo e, logo depois, cometeu um grande erro ao repreendê-lo. Jesus dirigiu-se a Pedro chamando-o de Satanás e, por fim, ele negou a Jesus em público.

Jesus elogiou a Pedro mais que qualquer outro discípulo e também o repreendeu mais que qualquer outro.  Estes são alguns dos exemplos que mostram Pedro como alguém cheio de contradições. Porém, as contradições e fraquezas deste homem não limitaram o poder de Deus.

Deus nunca é limitado pelas fraquezas dos homens e Pedro, mesmo sendo cheio de erros e contradições, pôde escrever uma carta dizendo: Apóstolo de Jesus Cristo. Em apenas um versículo podemos ver como Deus usa homens comuns para fazer coisas extraordinárias. Ainda que não possuísse uma boa educação como os religiosos de sua época, Pedro, quando falou perante o sinédrio, deixou os seus ouvintes impressionados pela maneira que falava de Cristo.

A carta foi escrita para cristãos que estavam sofrendo perseguições de todos os tipos. Se você ler toda a carta perceberá que o tema em destaque é o sofrimento. Alguns cristãos tinham se convertido ao cristianismo e tinham a falsa noção que, desde que recebessem a Cristo como salvador, tudo iria bem com eles. No entanto, a vida cristã não é assim. Eles haviam se esquecido do que Jesus disse: no mundo tereis aflições. Pedro escreve a carta para consolar, motivar e lembrá-los de que o sofrimento faz parte da vida cristã.

Ele usa três adjetivos para descrever os crentes: eleitos, peregrinos e forasteiros. Porque Pedro diz que esses crentes são eleitos? Em que, esta verdade poderia acrescentar à vida deles? Pedro falou de eleição para poder encorajar os cristãos. Esse tema tem sido discutido no decorrer da história do cristianismo. A Bíblia mostra claramente que Deus escolhe pessoas, mas também mostra que pessoas rejeitam a Deus.

A palavra grega eleitos significa: “escolhido de dentro de uma determinada massa ou grupo”.  Em meio ao sofrimento, saber que fomos escolhidos por Deus por causa de sua graça é um grande conforto. Essa eleição ocorreu segundo a presciência de Deus. Saber que alguém pensou em nós antes mesmo de termos nascido nos conforta.

Não entendemos porque passamos por muitos sofrimentos, mas de uma coisa podemos estar certos: Deus nos ama. Os cristãos são também chamados de peregrinos. A palavra peregrinos designa uma pessoa que se encontra por pouco tempo num certo lugar, como forasteira.

Imagine um viajante que sabe que ficará em um hotel por duas semanas e de repente decide trocar toda a mobília do quarto. O gasto é alto, mas mesmo assim, ele continua gastando e equipando o quarto onde está hospedado. Não diríamos que isso é tolice? Por que alguém investiria tanto sabendo que terá de deixar o hotel? Infelizmente é o que muitos crentes estão fazendo. O alvo de muitos é ter uma vida confortável, acumular bens, etc. Ao olharmos para o espelho devemos dizer pra nós mesmos: sou um peregrino, um viajante, esse mundo não é o meu lar, estou aqui apenas por um tempo.

Os cristãos foram dispersos e a palavra dispersão foi usada também por Tiago, para descrever os cristãos gentios que estavam sendo perseguidos. William Macdonald diz: “Diáspora ou Dispersão à qual Pedro se refere é a igreja cristã, constituída em grande parte de gentios convertidos ao cristianismo. Caso alguém levante a objeção de que Pedro era reconhecidamente apóstolo aos judeus, devemos lembrar que isso não constituía empecilho para ministrar aos gentios. Paulo, o apóstolo aos gentios, ministrou aos judeus em várias ocasiões. A carta que Pedro escreveu não foi direcionada a uma igreja específica, mas para todos os cristãos. Ela percorreu uma rota que abrangia as regiões do Ponto, Galácia, Capadócia, província da Ásia e Bitínia.

escolhidos de acordo com o pré-conhecimento de Deus Pai, pela obra santificadora do Espírito, para a obediência a Jesus Cristo e a aspersão do seu sangue: Graça e paz lhes sejam multiplicadas. (1 Pedro 1:2)

Esse versículo maravilhoso nos mostra a obra da trindade. Aqui vemos que Deus Pai elege, o Espírito Santo santifica (separa) e Jesus Cristo purifica. O Pai, o Filho e o Espírito Santo trabalham juntos para salvar o homem. O propósito de Deus é que possamos ter relacionamento com os três. Não é maravilhoso saber que o nosso Deus está trabalhando para salvar pessoas e que a trindade está interessada em nós?

Deus escolhe.  Não devemos nos esquecer que a eleição sempre anda de mãos dadas com o pré-conhecimento de Deus. Há uma ilustração que pode nos ajudar a entender essa passagem: suponha que há duas mulheres, A e B, e um homem está interessado nas duas. Imagine que ele tem o dom de prever as coisas. Ele sabe que se pedir a mulher A em casamento, ela aceitará, enquanto a mulher B não. É óbvio que ele não pediria a mulher B em casamento por ter o dom de prever o futuro.

Sei que a ilustração é simples, mas acredito que Deus escolhe baseado em algo que ele já sabia desde o início. Ele escolhe aqueles que no futuro iriam responder ao chamado. A palavra pré-conhecimento, significa prever, ter conhecimento antecipado de algo que acontecerá no futuro. Em todas as minhas pesquisas da palavra grega “prognosis”, presciência, não achei nada que indicasse “pré-determinar ou pré-arranjar, como alguns pensam”. Sei que grandes pregadores como C.H. Spurgeon e Martin Lloyd Jones, não concordam com essa visão. Mas prefiro ser inconsistente com eles um milhão de vezes, a ser inconsistente com a Bíblia uma vez.

A pergunta que alguém poderia levantar aqui é: será que eu cri porque fui eleito ou fui eleito porque iria crer? A última opção é a que faz jus ao caráter de Deus. Ele me elegeu porque sabia que eu iria crer e não o contrário. Não creio que alguém será salvo contra a sua vontade, visto que Deus não criou robôs. Esse é um dos pontos que muitos calvinistas se esquecem. Quando uma pessoa crê em Cristo ela se torna eleita, e não o contrário.

Nornam Geisler, comentando sobre eleição diz: “A eleição de Deus não é baseada em sua presciência de quaisquer boas obras que o ser humano haveria de fazer. Mesmo assim, seria errado presumir, contrário à Escritura (Rm 8:29), que a eleição não seja ‘de acordo com o pré-conhecimento de Deus’. Aliás, a fé do ser humano não é a base da escolha para Deus lhe proporcionar a salvação, e sim o meio mediante o qual recebemos sua graça (Rm 5:1; Ef 2:8,9)”.

A base para a eleição é a boa vontade de Deus e não as boas obras do ser humano. Apesar do dom da salvação ser incondicional do ponto de vista do doador (Deus), ela é condicional do modo de ver do recebedor, isto é, o dom da salvação deve ser recebido pela fé a fim de ser obtido. A  soberania divina e a responsabilidade humana está bem claro nas Escrituras. Deus escolhe e o homem precisa crer.

O Espírito santifica. Aqui não devemos pensar que a referência é feita ao processo de santificação na vida do crente após a sua conversão. Pedro aqui está falando que nós fomos separados do mundo, como consequência da eleição. O Espírito Santo opera para efetivar essa eleição. A palavra santificação aqui deve ser entendida como “separar pessoas para a fim de pertencerem a Deus” (2 Ts 2:13). A nossa conversão foi obra do Espírito, foi Ele quem nos convenceu do pecado.

Jesus limpa. Segundo David Guzik, há no Antigo Testamento três situações onde o sangue era aspergido em pessoas:

  • No estabelecimento da aliança no Sinai (Ex 24:5-8);
  • Na ordenação de Arão e seus filhos (Ex 29:21);
  • Na purificação cerimonial de um leproso limpo de sua lepra (Levíticos 14:6-7).

A aspersão do sangue de Cristo em nós realiza a mesma coisa. Primeiro, uma aliança é formada; somos ordenados sacerdotes; e, finalmente, somos limpos de nossa corrupção e pecado. Cada um desses benefícios é nosso por causa da obra de Jesus na cruz. No fim do versículo 2, Pedro deseja que graça e paz sejam multiplicadas aos cristãos. Os leitores já experimentaram a graça de Deus quando foram salvos e a paz divina que a acompanha. No dia a dia, porém, precisarão de graça ou força para a vida cristã e paz no meio de uma sociedade turbulenta. Por isso o apóstolo lhes deseja graça e paz em abundância (William Macdonald).

Há um grande consolo nestas passagens:

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Conforme a sua grande misericórdia, ele nos regenerou para uma esperança viva, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, (1 Pedro 1:3)  

1 – Devemos olhar para o passado para encontrarmos motivação para lidar com o sofrimento.

Diante de tudo o que Deus fez por nós, Pedro só pôde fazer uma coisa: louvar a Deus. Ele diz: bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Pedro, nesses versículos, deseja chamar a atenção dos cristãos que estavam sofrendo para uma realidade que nenhum sofrimento poderia mudar. Eles nasceram, agora tem uma esperança viva e tudo isso por causa da ressurreição de Jesus Cristo.

Regenerou. Isso significa que quando uma pessoa converte ao Senhor, ela é feita nova criatura.

Viva esperança.  Há pessoas que pensam que ter esperança significa achar que o futuro será melhor. Isso não é a esperança cristã. Ela é viva porque ela nunca se extingue por causa de circunstancias difíceis. Também é viva porque nossa esperança não está em uma promessa, mas sim em uma pessoa. É por isso que ela é viva. Ela é viva porque Jesus está vivo.

Por meio da ressurreição de Jesus Cristo. Há teólogos liberais que afirmam que Jesus não ressuscitou de fato. A explicação deles é mais ou menos assim: Jesus foi tão influente no primeiro século que a sua personalidade e seus ensinamentos permaneceram e transcenderam a sua morte. Não devemos entender que Jesus tenha ressuscitado literalmente.

Quando os discípulos pregaram que Jesus estava vivo, o que eles estavam dizendo era que a personalidade, a influência e seus ensinamentos estavam vivos. Isso é uma negação das Escrituras. Jesus foi visto por várias testemunhas. Após a sua morte, Jesus apareceu aos discípulos e a mais de quinhentos irmãos. (1 Cor 15:6) A ressurreição foi tema central na pregação da igreja do primeiro século. Aqui, Pedro deseja que seus leitores olhem para o passado.

Mesmo que o sofrimento seja grande, nada poderia mudar o fato de que Jesus ressuscitou e está assentado no trono controlando todas as coisas. Por causa da ressurreição, o futuro deles era certo e as orações dos cristãos poderiam ser ouvidas. Para lidar com o sofrimento temos que olhar para o passado. Deus nos escolheu, o Espírito nos separou, Cristo morreu por nós e ressuscitou.

para uma herança que jamais poderá perecer, macular-se ou perder o seu valor. Herança guardada nos céus para vocês (1 Pedro 1:4)   

2 – Devemos olhar para o futuro para encontrarmos motivação para lidar com o sofrimento.

Pedro diz que fomos salvos e agora temos uma herança que jamais poderá perecer, macular-se ou perder o seu valor. Herança guardada nos céus para nós. A palavra herança pode denotar uma propriedade já recebida, bem como ainda guardada, não na terra, mas no céu. Segundo Willian Macdonald, a herança inclui tudo o que o cristão desfrutará em sua existência eterna no céu e tudo o que será dele por meio de Cristo. Ele a descreve mostrando o que ela não é:

Jamais poderá perecer. Isso significa que a herança jamais sofrerá corrosão, rachaduras ou decomposição. É resistente à morte.

Jamais poderá macular-se.  Ela se encontra em perfeito estado. Sua pureza jamais será ofuscada. É resistente ao pecado.

Jamais poderá perder o valor. Jamais sofrerá variações quanto ao seu valor, sua glória ou beleza. É resistente ao tempo.

Ela está guardada. Nossa herança está guardada, reservada e isso nos conforta. Me lembro de um pastor falando que foi a um estádio de futebol cujo lugar estava reservado. Havia uma grande multidão querendo entrar, mas como ele tinha comprado o ingresso antecipadamente, pôde entrar sem nenhum problema, pois o seu lugar estava guardado, reservado. Isso fez toda a diferença! Não há herança como esta no mundo. Qualquer herança que uma pessoa recebe aqui nesse mundo está limitada ao tempo, e quando seu dono morrer não poderá levá-la consigo. Esta herança terrena corre o risco de desvalorizar, se decompor e até mesmo de ser roubada. A nossa herança será eterna e grandiosa. Todo sofrimento que experimentarmos na terra será nada, comparado ao que nos aguarda. O que nos ajuda suportar este sofrimento é saber que por maior que seja a nossa dor, ela é nada, quando comparada à glória que nos aguarda e à alegria da qual vivenciaremos na eternidade ao lado de Deus.

que, mediante a fé, são protegidos pelo poder de Deus até chegar a salvação prestes a ser revelada no último tempo.  (1 Pedro 1:5)

Com uma herança dessas em vista, este texto é um grande conforto. Não somos guardados por nós mesmos. Deus não nos deu a salvação e depois disse: muito bem, agora se virem! Não. Além de possuirmos uma herança dessa natureza, somos protegidos pelo poder de Deus e não pelo nosso poder. Os versículos 3,4 e 5 são de grande motivação para os que estão sofrendo. Devemos manter nosso foco na ressurreição de Cristo, no poder de Deus e na herança que nos aguarda no céu. Devemos também mudar o foco da nossa dor para o amor de Deus. Ele nos escolheu, e tudo isso foi por amor. Ele já provou que nos ama ao enviar o seu filho.

Nisso vocês exultam, ainda que agora, por um pouco de tempo, devam ser entristecidos por todo tipo de provação. (1 Pedro 1:6)

Somente o cristão pode experimentar a felicidade em meio ao sofrimento. Esse versículo é uma prova disso. Além dessa verdade, há outra realidade que este verso nos mostra: podemos experimentar alegria e aflição ao mesmo tempo. É possível ter alegria ao pensar em nossa herança, salvação, ressurreição de Cristo e ao mesmo tempo estarmos aflitos por algum tipo de perseguição ou deprimidos por causa de um divórcio ou uma enfermidade. Há pessoas que pensam que o cristão deve andar sorrindo o tempo todo. Mas aqui está a prova de que tal pensamento é falho. Esses cristãos do primeiro século estavam sendo perseguidos, estavam aflitos e deprimidos por causa das provações. Por outro lado, exultavam, se alegravam na salvação que Deus havia preparado.

Pedro fala de “todo tipo de provação”. As provações que esses cristãos estavam enfrentando   eram de todo tipo,  de todas as formas, tamanhos e “cores”. Mesmo assim, eles podiam exultar em meio tudo isso. Lembro-me de falar a alguém que eu estava aflito e essa pessoa me disse que eu deveria orar mais e ler a Bíblia, pois só assim poderia me livrar dessas emoções negativas, como se aflição fosse pecado. Na verdade, isso faz parte da vida cristã. Todavia não devemos deixar que essas aflições nos controlem ao ponto de vivermos assim o tempo todo, o que é perfeitamente possível.

O crente deprimido é uma péssima recomendação ao cristianismo. O mundo olha pra ele e diz: você diz que tem uma esperança viva; diz que Jesus ressuscitou e que pelo poder de Deus está guardado. Tudo bem, mas veja, você está enfrentando o problema como todos enfrentam. Está deprimido, desanimado, estressado. O que adiante acreditar em tudo o que diz e viver assim? Não, diz o homem moderno, não quero o seu cristianismo. Porém quando nos alegramos em meio ao sofrimento, Deus é glorificado e o mundo é impactado.

Assim acontece para que fique comprovado que a fé que vocês têm, muito mais valiosa do que o ouro que perece, mesmo que refinado pelo fogo, é genuína e resultará em louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo for revelado. (1 Pedro 1:7)

3 – Devemos olhar para o presente para encontrarmos motivação para lidar com o sofrimento.

Por que as provações são necessárias? São necessárias pois elas comprovam a fé que temos. Nossa fé é muito mais valiosa que o ouro, como diz o apóstolo. E, se o ouro é provado pelo fogo, quanto mais a nossa fé. Ainda que o ouro seja o minério que mais suporta o calor e seja o mais durador, ele perece, se desgasta. Enquanto isso, a nossa fé é fortalecida  a cada dia e é mais preciosa que o ouro. Deus tem propósitos em testar a nossa fé. O seu propósito não é descobrir o estado de nossa fé, mas sim mostrar a nós como ela está. Uma fé que não pode ser testada não pode ser confiada.

Quando o ourives refina o ouro, as impurezas emergem e assim, o ouro reflete a imagem do ourives. Quanto mais calor mais pureza. Muitas vezes a nossa fé contém autoconfiança, farisaísmo, hipocrisia e ao vir uma provação, nossa fé é submetida ao fogo e, por consequência, podemos perceber as nossas impurezas. Cristo será louvado em nossa vida se  encontrar uma fé firme, genuína. A glória e a honra será dada aos que perseveraram em meio à provação. 

Mesmo não o tendo visto, vocês o amam; e apesar de não o verem agora, crêem nele e exultam com alegria indizível e gloriosa, (1 Pedro 1:8)

Pedro sabia que embora ele tenha visto Jesus antes e depois da ressurreição, muitos de seus leitores não tiveram esta mesma oportunidade, o que não quer dizer que Jesus era menos real para eles. Aqui nós temos a melhor definição de um cristão: alguém que ama a Cristo, apesar de nunca tê-lo visto. Pedro diz que eles amam a Cristo. Você não precisa ver alguém para amá-lo. Temos como exemplo uma mãe cega que nunca viu seus filhos, mas mesmo assim ela os ama. Eu tenho uma pergunta para te fazer: você ama a Cristo? Não estou falando de religião, se você frequenta uma igreja ou foi batizado, estou perguntando se você o ama.

Pedro diz que apesar de não termos visto a Jesus Cristo, nós o amamos e também nos alegramos com alegria indizível pois cremos nele. “Alegria indizível” se refere a uma profunda alegria que as palavras não podem expressar. Em nossa sociedade as pessoas procuram alegria em um corpo malhado, em drogas, dinheiro, bens materiais e com o tempo percebem que tudo isso é correr atrás do vento. Para o cristão a fonte da alegria é Cristo e se Ele não puder dar ninguém pode. Essa alegria além de ser indizível é gloriosa, visto que ela não é desse mundo, é divina. A alegria verdadeira não pode ser encontrada nesse mundo, ela vem do alto, sendo uma consequência do crer Nele.

pois vocês estão alcançando o alvo da sua fé, a salvação das suas almas. (1 Pedro 1:9)

No Novo Testamento a nossa salvação pode ser dividida em três etapas: fomos salvos da culpa do pecado; estamos sendo salvos do poder do pecado e seremos salvos da presença do pecado. Pedro aponta para o futuro, mostrando que um dia nossa salvação será consumada. No entanto, já podemos nos alegrar nisso. O versículo 8 faz conexão com o versículo 9. Nós temos alegria indizível e gloriosa porque estamos obtendo o fim da nossa fé: a salvação de nossas almas.

Foi a respeito dessa salvação que os profetas que falaram da graça destinada a vocês investigaram e examinaram, procurando saber o tempo e as circunstâncias para os quais apontava o Espírito de Cristo que neles estava, quando lhes predisse os sofrimentos de Cristo e as glórias que se seguiriam àqueles sofrimentos. A eles foi revelado que estavam ministrando, não para si próprios, mas para vocês, quando falaram das coisas que agora lhes foram anunciadas por meio daqueles que lhes pregaram o evangelho pelo Espírito Santo enviado do céu; coisas que até os anjos anseiam observar. (1 Pedro 1:10-12)

Era importante para Pedro e para os escritores do Novo Testamento demonstrar que os seus ensinos não eram invenções de suas cabeças, uma vez que foi testificado pelos profetas que viveram antes deles. O alvo de Pedro ao escrever sobre a salvação que fora profetizada  era :  mostrar que o seu ensino não era uma invenção moderna e , ao mesmo tempo,  motivar os cristãos que estavam sofrendo perseguições.

Não devemos pensar que os profetas eram homens que, num belo dia, acordaram e disseram a si mesmos: “bem, acho que vou escrever um livro sagrado”. Não mesmo. Aqui Pedro nos diz que o Espírito Santo estava neles e eles foram os instrumentos. Eles  foram movidos, guiados e inspirados pelo Espírito. Um dos argumentos que mais gosto de usar quando alguém contesta a autoridade das Escrituras é o de que as profecias do Antigo Testamento relacionadas a Jesus Cristo se cumpriram exatamente da mesma maneira como Jesus viveu. Como você me explica isso? Digo então: uma das provas que a Bíblia é um livro divino é essa: as profecias se cumprem com perfeita exatidão.

A Bíblia é um livro diferenciado de todos os outros livros, é um livro cujo Deus é o autor. Costuma-se dizer que os profetas viram dois montes: o do Calvário, onde Cristo sofreu e o das Oliveiras, onde ele voltará em glória. Não viram, porém, o vale entre eles, ou seja, a era presente em que a Igreja se encontra.  Pedro diz ainda que os anjos anseiam por observar tudo o que foi dito nos versículos 10 e 12.

A palavra “observar” significa inclinar-se para olhar. Diante disso, devemos  pensar em algumas verdades sobre os anjos:

1 – os anjos observam a nossa conduta (1 Cor 4:9);

2 – Deus quer que os anjos olhem para a igreja e vejam a sua sabedoria (Ef 3:10-11);

3 – Os anjos se alegram quando um pecador se arrepende (Lc 15:7);

4 – Os anjos ficaram maravilhados quando Jesus nasceu (Lc 2:13);

5 – Um anjo confortou a Jesus (Lc 23:42).

Posso dizer que há um forte desejo por parte dos anjos de entenderem o mistério da salvação. Eles estão olhando e atentando para os planos de Deus a fim de que possam aprender mais sobre a sabedoria de Deus. Eles tem uma “santa curiosidade” em assistir as glórias do Reino de Cristo. Para concluir essa esta parte pergunto: o que pode impressionar os anjos? A resposta é: Deus e suas obras. Isso impressiona os anjos! Eles não conhecem a Deus na sua totalidade, pois Deus é infinito e sua sabedoria é inescrutável.

Portanto, estejam com a mente preparada, prontos para a ação; sejam sóbrios e coloquem toda a esperança na graça que lhes será dada quando Jesus Cristo for revelado. (1 Pedro 1:13)

A palavra “portanto”, liga o que o apóstolo disse nos versículos anteriores, como se  dissesse: à luz de tudo isso que eu disse até aqui, só resta uma coisa a fazer, estejam com a mente preparada. Pedro nos mostra nestes versículos uma poderosa atitude cristã. Escrevendo ao crentes que estavam sofrendo, ele diz: Estejam com a mente preparada, prontos para a ação.

Há outra versão que diz: “cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios”. O que significa isso? Os orientais juntavam suas largas roupas sob um cinto ou faixa quando estavam apressados ou iniciando uma viagem. Isso porque as longas roupas dos orientais atrapalhariam a atividade física, a menos que fossem juntadas e presas pelo cinto. Uma expressão parecida com essa em nosso tempo é: “preparem para arregaçar as mangas”.

Como é que podemos ter a mente preparada para agir? Sua mente está preparada para a ação quando você espera por oposição e problemas. Assim, quando eles acontecerem você não se sentirá desanimado e deprimido. É desta maneira que o cristianismo ensina como lidar com o sofrimento. Muitas coisas que acontecerão na sua vida te surpreenderão e muitas vezes você  não conseguirá entender. O que devemos fazer, então, é nos preparar mentalmente para esses momentos, sejam eles traição, doenças, decepções, sofrimentos, etc. Estejam alertas, diz Pedro! Escapismo não adianta, muito menos drogas e bebidas, festas, materialismo ou qualquer outra coisa. O conselho do mundo para lidar com o sofrimento é:

– Dedique-se a alguma coisa. O ativismo pode te ajudar a não focar no sofrimento;

– Venha para a nossa igreja, aqui a música e o ambiente são tão bons que você se esquece dos seus problemas;

– A psicologia pode aliviar o seu problema.Você precisa ir até um psicólogo;

– Bebidas  e drogas podem dar um certo relaxamento.

São apenas algumas das coisas que tenho ouvido por aí. Muitas pessoas vão atrás de livros, seminários, pílulas, etc. Elas estão sofrendo e querem um alívio, contudo, as coisas que citei são totalmente o oposto do que o cristianismo prega.

Jesus disse: No mundo tereis aflições. Jesus não nos ensina escapismo, pelo contrário, Ele nos ensina a pensar. Acredito que o cristianismo é a única religião que faz o homem pensar. Pedro diz: Estejam alertas, preparados. Entenda isso: você pode sofrer a qualquer momento. Enquanto estivermos vivos, os sofrimentos, problemas e as aflições farão parte de nossa jornada. Portanto, controlem suas mentes, tenham uma mente disciplinada. É assim que o cristianismo nos ensina a lidar com o sofrimento.

O grande problema do mundo e da igreja é que as pessoas não pensam. Elas não usam as suas faculdades mentais e por isso muitos vivem deprimidos. Esta é a tragédia atual: as pessoas estão sempre mais interessadas no sentir. No entanto, o nosso maior desafio é viver controlado não pelos nossos sentimentos, mas sim por nossas mentes. É disso que o apóstolo está falando aqui. Ele ainda acrescenta: sejam sóbrios. Aqui, Pedro não está falando de sobriedade física, mas de sobriedade espiritual. É possível uma pessoa nunca ter tomado uma gota de álcool e ainda assim não ser sóbria, espiritualmente falando.

A palavra sóbrio no Novo Testamento, geralmente denota o autocontrole e a clareza mental que o acompanha. O oposto de estar sóbrio é estar bêbado. Uma pessoa que está bêbada perdeu, em certo sentido, o contato com a realidade. Ela não tem o controle de seus sentidos. Você pode dizer-lhe que o que ela faz é estúpido, mas ela não consegue avaliar suas atitudes corretamente. A embriaguez espiritual é a mesma coisa. O que pode nos tornar embriagado é preocupação, mundanismo, dificuldades, as coisas boas da vida, o pecado, etc.

Precisamos ter autocontrole, clareza e equilíbrio mental. Pedro também nos diz que devemos colocar toda a esperança na graça que será dada a nós quando Jesus Cristo for revelado. A única razão pela qual estaremos diante de Jesus no dia em que ele voltar, será por causa do seu favor imerecido: a graça. Somos exortados a ter uma disposição otimista ao olhar para o futuro. Jesus voltará novamente e isso é um grande conforto.

Como filhos obedientes, não se deixem amoldar pelos maus desejos de outrora, quando viviam na ignorância. (1 Pedro 1:14)

No versículo 13 Pedro nos diz  o que devemos fazer, e aqui, nesta parte, o que não devemos fazer. Devemos colocar a nossa esperança na graça (v.13) e não deixar que os maus desejos moldem o nosso caráter. O termo “filhos obedientes”, se traduzido de forma literal seria “como filhos da obediência”. Tanto em versões do português quanto do inglês a mudança é feita para facilitar a leitura e soar melhor. Entretanto, ao dizer que somos filhos da obediência como se acha no original, a ideia da expressão é mais forte.

Dizer que somos filhos da obediência é dizer  que a obediência é  característica da nossa natureza agora. Ele prossegue dizendo: “não se deixem amoldar”. O que Pedro quer dizer com isso? Para entendermos este ensino, podemos comparar nossa vida a uma gelatina líquida. Se você tem uma fôrma redonda e deseja fazer uma gelatina, o líquido após ser deixado dentro desta fôrma se tornará redondo. O modelo da gelatina será determinado pelo formato do recipiente.

Pedro, em outras palavras, está nos dizendo que devemos rejeitar o molde da nossa velha natureza. Este versículo nos mostra um paradoxo. Embora sejamos filhos da obediência, ainda temos que lidar com os maus desejos. Alguns cristãos quando olham para dentro si e contemplam os maus desejos chegam à conclusão de que não são cristãos. Essa conclusão leva ao desânimo e à depressão. Perceba que embora sejamos filhos da obediência, ainda lutamos contra os maus desejos. Como o próprio apóstolo Paulo disse: “Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo” (Romanos 7:19).

Não devemos entender maus desejos apenas como desejos sexuais ilícitos, mas também como orgulho, desejo de obter reconhecimento, desejo de vingança, etc. Como então rejeitar o molde dos maus desejos? Devemos nos lembrar de que as nossas decisões e as pequenas coisas  que fazemos diariamente contam. Elas moldam o nosso caráter. Pequenos comportamentos e hábitos levam a outros comportamentos. Pedro também nos fala dos maus desejos que tínhamos antes da nossa conversão.

Há uma ilustração que pode nos ajudar a entender isso. Uma garota se converteu e sua amiga lhe disse: quer dizer que agora você não peca mais? A garota que havia se convertido recentemente respondeu: claro que peco, mas a diferença é que antes eu corria atrás do pecado e agora, após a minha conversão, é o pecado que corre atrás de mim. Este exemplo expressa claramente a ideia do versículo. Vivíamos na ignorância, ou seja, não conhecíamos a graça de Deus e nem tínhamos conhecimento da nossa herança no céu e muitos menos da salvação providenciada por meio da ressurreição de Jesus Cristo. Agora que somos salvos e temos o conhecimento dessas coisas, devemos viver como tal.

Mas, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, pois está escrito: “Sejam santos, porque eu sou santo”. (1 Pedro 1:15-16)

Pedro no versículo 14 disse o que não devemos fazer. Aqui no versículo 15 ele  diz o que devemos fazer: sermos santos. Deus quer que você seja santo. A palavra santo significa “separado”. Se você me perguntasse: Edomm, me dê apenas uma razão, pela qual eu deveria ser santo? A resposta seria: Pedro diz que temos que ser santos porque Deus é santo. Não devemos pensar que temos que ser santos por nossa causa, mas sim por causa de Deus. Ele é nosso Deus e nós o seu povo. É muito fácil olhar para a vida dos outros e nos sentirmos mais santos. Se, por exemplo, você olhar para a vida de Hitler ou para a vida dos jovens que atearam fogo na dentista de São Paulo, claro, você se sentirá mais santo que eles. Mas, sempre que pensarmos em santidade, devemos nos comparar com Deus. Ele é o nosso padrão de santidade.

Quando o profeta Isaías contemplou a santidade de Deus ele gritou: “Ai de mim! Estou perdido! Pois sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros; e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!” (Isaías 6:5). Não devemos pensar que apenas os seus lábios eram impuros, uma vez que nossas palavras são frutos de nossos pensamentos. O que Isaías percebeu ao ver a santidade de Deus foi que seu coração, mente e lábios eram impuros. É isso o que acontece quando nos comparamos a Deus. Só podemos ver quem realmente somos quando olhamos para Ele. Nossa reação será: ai de mim, sou impuro. Temos que entender que nós temos um relacionamento com um Deus santo.

Deus não quer ter associação com pessoas que vivem no pecado sem arrependimento. Pedro ainda nos oferece mais alguns incentivos para sermos santos:

– Temos uma viva esperança. João diz:  “Todo aquele que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro” (1João 3.3).

– Deus irá julgar a igreja (v.17). Esse julgamento está relacionado a obras e não a salvação.

– Cristo morreu por nós para nos purificar do pecado. (v. 13)

– O Espírito que habita em nós é Santo. (v.3) É importante lembrar que nós fomos separados por Deus e já somos santos.

O que Pedro quer está nos dizendo aqui é: sejam o que vocês já são. Por causa da graça de Deus podemos obedecer ao mandamento de sermos santos. Nunca devemos nos contentar com a santidade alcançada hoje. Se você tem tido “sucesso” na vida de santidade, parabéns. Continue assim! Não se atreva a relaxar e dizer: já sou bem santo. Temos que crescer em santidade.

Devo aqui fazer um alerta. Muitos acham que ser santo é viver num mosteiro, não frequentar festas, teatros, cinemas, concerto musical, etc.  Os fariseus se achavam santos. Eles nem mesmo se misturavam com pessoas “pecadoras”, mas essa “santidade” provinha de regras criadas por homens. Enquanto os fariseus se preocupavam com o exterior, Jesus se preocupava com o interior. A nossa santidade deve vir do coração tendo Deus e sua palavra como padrão. Ser santo não é uma opção, é uma ordem. Se você não vive uma vida separada do pecado, arrependa-se!

Uma vez que vocês chamam Pai aquele que julga imparcialmente as obras de cada um, portem-se com temor durante a jornada terrena de vocês. (1 Pedro 1:17)

Aqui é dito a nós que devemos nos portar com temor. O que Pedro está dizendo é: olhe, se você se relaciona com Deus o chamando de pai; se você é próximo Dele e pode chamá-lo assim, é melhor ter cuidado no seu modo de viver porque Deus julgará as obras de cada um. Você precisa entender que Deus é  santo e um Deus santo deve ser respeitado. Você respeita a santidade de Deus ou apenas o chama de pai com interesse de lhe pedir as coisas sem se importar com o estado do teu coração? Quanto mais um cristão conhece a Deus intimamente, mais temor ele tem. Quanto mais temor ele tem, mais temor ele terá de ofendê-lo. Ele também desejará honrar a Deus mais e mais.

Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver que lhes foi transmitida por seus antepassados, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito, conhecido antes da criação do mundo, revelado nestes últimos tempos em favor de vocês. (1 Pedro 1:18-20)

Pedro quer que seus leitores entendam nessa parte que a salvação é de graça, mas que não foi barata. Nós não fomos salvos por meio de coisas perecíveis como a prata ou o ouro. É muito importante ter em mente que esses metais eram usados como dinheiro, e escravos poderiam ser libertos por eles. Nós, cristãos, éramos escravos do pecado e fomos redimidos por Cristo.

A palavra “redimidos” significa: libertar através do pagamento de um preço. O autor da letra da música que diz: “eu nunca saberei o preço dos meus pecados lá na cruz”, deveria ler esse versículo, pois aqui podemos saber o preço, ele foi o sangue de Jesus.  A pergunta que devemos fazer aqui é: porque Pedro fala do preço que Jesus pagou? A verdade sobre a nossa redenção é prática. A intenção de Pedro era a de motivar os seus leitores fazendo-os lembrar que a salvação custou um alto preço e isso deve nos motivar a viver uma vida santa.

Pedro diz que fomos redimidos de nossa maneira vazia de viver que foi transmitida a nós por nossos antepassados. A palavra “vazia”, usada por Pedro, significa fútil, sem conteúdo, sem valor real. A vida de Jack Higgens, um ator de novelas de sucesso e muito famoso nos Estados Unidos, é um exemplo do que Pedro nos diz aqui. Ao ser entrevistado, o jornalista lhe fez a seguinte pergunta: “O que você gostaria de saber quando era garoto?” Ele respondeu: “Que quando você chega no topo não há nada lá”. Embora a vida dos incrédulos possa parece algo maravilho e emocionante, ela é , como dizia Martin Lloyd Jones, como uma bolha de sabão, colorida por fora refletindo as cores do arco-íris, mas por dentro só tem ar.

Nosso primeiro pai, Adão, nos deixou uma herança: a natureza pecaminosa que procura gratificação própria, o que por sua vez, conduz ao vazio.  Todavia, com a vinda de Cristo nossa vida é preenchida. Um dos testemunhos que a Bíblia nos dá é que uma vida sem Jesus é uma vida vazia. Com a declaração: “como de um cordeiro sem mancha e sem defeito”, Pedro refere-se ao caráter de Jesus sem nenhum pecado. Se ele não fosse sem pecado, não teria sido qualificado para ser o nosso redentor. Jesus não tinha apenas uma natureza santa quando veio, mas sua vinda foi planejada por Deus desde a fundação do mundo.

Temos que compreender que nada pega Deus de surpresa. Aos olhos do mundo o que aconteceu com Jesus foi uma grande maldade. Ao olhos de Deus foi um grande plano. Tudo foi revelado nos últimos dias e nós, cristãos, estamos vivendo esses últimos dias. Tudo o que aconteceu com Jesus foi por nossa causa. Ele veio por nós. Ele fez a viagem dos mais altos céus por nossa causa. Como Pedro diz: “por causa de vocês”. Eu até posso imaginar Jesus na cruz com os braços abertos dizendo: Eu prefiro morrer para que você viva.

E por ele credes em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos, e lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em Deus; (1 Pedro 1:21)

Jesus nos mostrou quem é o Pai, e por meio Dele, cremos em Deus. Alguém certa vez me confrontou dizendo que não acreditava no Deus do Antigo Testamento. Eu disse: Eu creio no Deus no Antigo Testamento porque Jesus cria. Cremos em Deus por meio de Jesus. Ele disse: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”. Ao ressuscitar Jesus dentre os mortos, o Pai indicou sua satisfação total com a obra redentora de Cristo.

Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido; amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro; Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre. (1 Pedro 1:22-23) 

Ênio Muller, comentando sobre essa passagem disse: “Ao aderirem à verdade, reconhecendo sua pecaminosidade e ignorância, ( v.14), e aceitando em fé o resgate propiciado pelo sacrifício de Cristo na cruz, (vv.19-20), as suas vidas foram purificadas. Foram, igualmente, resgatados do individualismo egoísta que caracterizava a existência humana no pecado, e colocados num novo tipo de ‘existência corporativa’, como membros do povo de Deus, em que cada um não deve ter em vista só aquilo ‘que é propriamente seu’, senão também cada qual o que é dos outros ( Fil 2:4).”

Nosso dever é amar as pessoas ardentemente. Esse “amar” expressa o mesmo tipo de amor que um membro de uma família tem por outro. Amar pessoas é uma grande e forte evidência que alguém nasceu de novo. A semente que nos gerou (espermatozoide), assim como a semente das plantas, são corruptíveis. No momento em que somos concebidos, podemos dizer que já começamos a morrer. Há no mundo aqueles que foram gerados da semente corruptível e os que foram gerados da semente incorruptível, (descreve um estado que não está sujeito a morte, que não pode estragar, que vive para sempre) pela palavra de Deus. Essa semente é plantada em nosso coração pelo Espírito Santo, e ela permanece para sempre.

Porque Toda a carne é como a erva, E toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor; Mas a palavra do Senhor permanece para sempre. (1 Pedro 1:24-25)

Todos os seres humanos são como “capim”. Digo capim, pois a palavra “erva” no original quer dizer exatamente isso. Em nosso contexto não podemos restringir somente isso, mas podemos pensar também nos grandes impérios com toda sua glória. Pense em todos os homens famosos que já existiram e seus ensinamentos. Você se lembra torres gêmeas nos Estados Unidos? Tudo é erva. Sua melhores realizações, seu diploma, seu carro, sua casa, sua beleza, tudo isso é erva, vai passar. Mas a palavra do Senhor permanece para sempre.

Voltaire disse que em menos de cem anos a Bíblia deixaria de ser lida e acabaria no esquecimento à medida que as pessoas fossem adquirindo mais instrução. Conta-se que após sua morte, uma instituição alemã comprou sua casa e começou a imprimir e distribuir Bíblias, usando sua própria casa. Voltaire morreu, mas a Bíblia continua a ser lida e impressa. Após dois mil anos a Bíblia continua sendo lida e hoje é o livro mais vendido e traduzido do mundo. Já tem sido traduzida para mais de 3000 idiomas. Por quê? Porque a palavra do Senhor permanece para sempre.

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Uma resposta em “Capítulo 1

  1. QUERIDO IRMÃO, AINDA NÃO LI TODO SEU COMENTÁRIO, MAS VOU LER COM CERTEZA. FICO FELIZ QUE MEU ENTENDIMENTO SOBRE PREDESTINAÇÃO, ESCOLHA, ELEIÇÃO, NÃO ESTÁ ERRADO. A BASE É MUITO CLARA E O ENTENDIMENTO É MUITO FÁCIL, PENSO QUE O INSISTIR EM DIZER QUE DEUS LEVA ALGUÉM ESPERNEANDO PARA O CÉU, É MAIS TEIMOSIA DO QUE ENTENDIMENTO TEOLÓGICO. O PRÓPRIO SPROUL SENDO 100% CALVINISTA DIZ ISSO: “QUE DEUS NÃO LEVA NINGUÉM PARA O CÉU ESPERNEANDO E DIZENDO QUE NÃO QUER.” VALEU A FORÇA QUE VOCÊ DEU PARA O MEU PENSAMENTO CRISTÃO…!!! GRANDE ABRAÇO…!!!

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