Capítulo 1

 

Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos dispersas entre as nações: Saudações. Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma. Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida. Peça-a, porém, com fé, sem duvidar, pois aquele que duvida é semelhante à onda do mar, levada e agitada pelo vento. Não pense tal homem que receberá coisa alguma do Senhor; é alguém que tem mente dividida e é instável em tudo o que faz.  ( Tiago 1:1-8)

Ao ler qualquer carta, a pergunta que surge em nossa mente é: quem foi o autor da carta? Há vários homens chamados Tiago que são mencionados no Novo Testamento: Tiago, irmão de João e filho de Zebedeu (Mat 10:2, Mr 15:40, At 12:2 );  Tiago, filho de Alfeu, outro dos doze discípulos (Mat 10:3) e Tiago , o pai de outro apóstolo Judas ( Lc 6:16).

De acordo com a tradição da igreja, a carta foi escrita pelo meio irmão de Jesus (Mat 13:55) e irmão de Judas, que liderou a igreja em Jerusalém (At 15:13). O fato de o autor citar o seu nome logo no início da carta, foi devido à cultura da época.

Na saudação ele diz: “Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo”. Ele não diz : “Tiago, o irmão de Jesus”. Jesus não era apenas o irmão de Tiago, mais importante que isso, era o seu Senhor.

Tiago escreveu essa carta para as doze tribos, termo este que, geralmente, se refere a um público judeu cristão. Em algumas passagens, o termo “doze tribos” se refere aos judeus (Mt 19:28; At 26:7). Há aqueles que acreditam que o seu público era apenas de judeus. Esses judeus, recém convertidos, se dispersaram, e segundo alguns estudiosos, o motivo foi o  apedrejamento de Estevão. E Tiago, sendo na época um dos líderes da igreja de Jerusalém, escreveu essa carta para encorajar os judeus, recém convertidos, dispersos por causa da perseguição.

Tiago diz que devemos considerar motivo de alegria o fato de passarmos por várias provações. Ele não diz: considerem motivo de grande alegria “se” vocês passarem por diversas provações. Ele diz, “o fato de”, ou, como está em outras versões : “o passardes por várias provações”. Se tem uma coisa que todos nós, mais cedo ou mais tarde vamos enfrentar, são as provações. Quando isso acontecer, diz o autor , temos que receber tudo com alegria. Seria isso possível?

Se eu pedisse a você para se levantar agora mesmo e encostar a mão na lâmpada do teto do seu quarto, você poderia fazer isso? Acredito que sim. Não é um mandamento impossível. Agora, se eu lhe pedisse para sair de sua casa e encostar sua mão na lua, seria possível? Obviamente que não. Pois bem, Tiago, aqui, não está nos pedindo algo impossível. É possível ter alegria em meio à pressão e perseguição.

Note que Tiago diz que devemos considerar motivo de alegria o fato de passarmos por “várias”. A ideia desta palavra “várias” no grego, é: multicolorido, variado, de muitas formas. Tiago está dizendo que as provações são das mais diversas. Há provações de todos os tamanhos, formas e cores. São variadas. Note que ele não diz: “Tendo por motivo o fato de passarem por algumas provações”, ou “uma provação”, não! As provações que os judeus cristãos estavam enfrentando eram de todas as formas e “cores”. Se tem uma coisa que havia variedade, era a provação que esses cristãos estavam passando.

A pergunta que devo fazer aqui é: como é que podemos ter alegria em momentos assim? Só podemos ter alegria quando entendemos que essas provações produzem algo. Elas vêm e deixam algo em nossas vidas.

As provações não produzem fé. Mas quando as provações são recebidas com fé, elas produzem perseverança. Às vezes as provações produzem em nós amargura e descrença. É por isso que Tiago nos exorta a considerar motivo de alegria quando passarmos por tribulações.

Li, há pouco tempo, um estudo  na revista Nature Geoscience, que dizia: “Terremotos podem formar depósitos de ouro quase que instantaneamente. O efeito é causado pela vaporização dos líquidos durante o abalo sísmico. Os cientistas já sabem que esses depósitos de ouro são formados pela deposição de minerais a partir de fluidos quentes que fluem através de fendas profundas na crosta da Terra, mas um novo estudo sugere que o processo é muito mais rápido do que o imaginado, sendo necessários apenas alguns décimos de segundo”. Aprenda uma lição importante : os terremotos que abalam sua vida podem deixar lições preciosas. Tiago está nos dizendo que as provações produzem um minério chamado perseverança. Quanto mais abalo, mais minério. Cada problema que abala nossas vidas deixa algo valioso.

É evidente que não vamos sorrir e nos alegrar pelo fato de estarmos passando por provações como um fim em si mesmo. A nossa alegria está no fato de sabermos que há um propósito por detrás de todas as coisas, de saber que as provações produzem algo. Nossa atitude deve ser de fé, pois sabemos que a provação sempre produz algo bom, desde que a recebamos com fé.

Tiago diz que a perseverança deve ter ação completa para que sejamos maduros e íntegros, em nada deficiente. Este texto quer dizer que há um processo que acontece lentamente; a maturidade vem, mas vem com tempo e, o propósito das provações é nos tornar íntegros. Sendo assim, cabe a cada crente ao ser provado, aceitar esse processo e cooperar com ele.

São nesses “abalos” que não sabemos o que fazer. Tiago nos diz que devemos orar pedindo sabedoria. Ao olhar para o texto no qual  Tiago diz que devemos pedir sabedoria, devemos prestar bastante atenção no fato de que  os seus leitores estavam sendo perseguidos. Claro, devemos pedi-la em todos os momentos. No entanto, quando pressionados e perseguidos, tendemos a nos desesperar e agir sem sabedoria. Se você está sofrendo, se está debaixo de tensão e perseguição, peça a Deus sabedoria para lidar com a situação. As provações, então, são um período de busca por sabedoria. Mais do que buscar conhecimento é necessário buscá-la. Conhecimento pode ser adquirido em livros e palestras, mas a sabedoria vem de Deus, ela é  a habilidade de por em prática o conhecimento adquirido.

Não devemos orar de qualquer maneira, pois ele diz: “Peça com fé”. Se você não orar com fé, não pense que receberá algo do Senhor. Um homem que duvida, de acordo com o autor, é um homem agitado, assim como uma onda do mar. Como é triste ver um homem agitado como uma onda.  Sabemos que nós, em vários momentos, somos como uma onda. Mas Tiago nos diz que se quisermos ter firmeza em nossa vida cristã, devemos aprender a pedir com fé. Somente uma pessoa que tem fé em Deus será capaz de enfrentar os revesses da vida com uma atitude cristã.

Deus dá a sabedoria de forma altruísta. O texto diz que Deus dá sabedoria livremente. Porém, o homem que pede e ao mesmo tempo duvida, é o que tem uma mente dividida entre fé e dúvida. Esse é o homem de mente dividida. Uma hora foca na fé e outra hora na dúvida. O homem que chegou até Jesus e disse: “Senhor, eu creio; me ajuda na minha descrença” (Mr 9:24), não tinha uma mente dividida. Ele queria crer e confessou a sua fé. Ele, sim, tinha uma fé fraca, mas não uma tinha mente dividida.

O irmão de condição humilde deve orgulhar-se quando estiver em elevada posição. E o rico deve orgulhar-se se passar a viver em condição humilde, porque passará como a flor do campo. Pois o sol se levanta, traz o calor e seca a planta; cai então a sua flor, e é destruída a beleza da sua aparência. Da mesma forma o rico murchará em meio aos seus afazeres. Feliz é o homem que persevera na provação, porque depois de aprovado receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam.  (Tiago 1:9-12)

Assim como é apropriado para o irmão de condição humilde (o pobre) se alegrar quando Deus o coloca numa posição de destaque, assim, o rico, deve se alegrar quando se encontrar numa posição de humilhação causada pelas provações.

As provações lembram o rico que embora ele tenha conforto nesta vida, o seu conforto pertence somente a esta vida. Tudo isso  passará . Assim como a flor do campo, cheia de beleza e que é secada pelo sol, o rico também passará.

Investir nossas vidas em coisas que vão durar mais do que nós é o grande segredo. Se fundamentarmos nossas vidas e identidade em coisas que vão “secar”, nós, também, secaremos com essas coisas. É incomparavelmente melhor basearmos nossas vidas em coisas que vão durar para sempre. Se um homem é rico apenas nesse mundo, quando ele morre, deixa suas riquezas. Mas se tal homem é rico diante de Deus, quando ele morrer, poderá usufruir sua riqueza.

Gardner C. Taylor disse: “Não importa a popularidade, a influência, a beleza. O mundo dá, mas toma de volta.”

Feliz é o homem que persevera na provação, porque depois de aprovado receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam.  (Tiago 1:12)

Aqueles que amam a Deus irão perseverar na provação. O amor que eles têm por Deus os leva a vencer toda e qualquer tipo de provação. Há uma clara conexão entre nosso amor a Deus e o nosso desejo de perseverar na provação. Nós amamos a Deus não pelo o que Ele nos dá, mas sim pelo o que Ele é.

Deus, de acordo com o texto, dá aos que vencem, a coroa da vida. Deus não recompensa aqueles que em um momento  o amam e em outro não. Ele recompensa aqueles que o amam com constância. Somente estes que amam a Deus são capazes de perseverar na provação.

Quando alguém for tentado, jamais deverá dizer: “Estou sendo tentado por Deus”. Pois Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Cada um, porém, é tentado pela própria cobiça, sendo por esta arrastado e seduzido. Então a cobiça, tendo engravidado, dá à luz o pecado; e o pecado, após ter-se consumado, gera a morte.  (Tiago 1:13-15)

Há uma diferença entre tentação e provação. Embora venham da mesma palavra grega “peirasmos”, devemos entender o seguinte:

1 – Em sua origem final. A tentação vem de dentro, da carne. A provação vem de Deus. Deus permitiu que Satanás tentasse a Jó (Jó 1:6-12). Consequentemente, quando falamos de “provações”, nós vemos as marcas das mãos de Deus nisso; quando falamos de tentação, vemos as marcas de nossas mãos ou das mãos do diabo.

2- Em sua origem imediata. Tentação vem de dentro; a provação normalmente vem de fora de nós. Jó sofreu fisicamente, mas, dentro de si, em sua alma, não havia aparente luta, pelo menos no início da sua história.

3 – Em sua relevância moral. A tentação, quando é de natureza sexual, tem considerável relevância moral. Mas a provação pode ser o que eu chamaria de moralmente neutra, assim como uma doença, ou a perda de algo.

4- Com referência ao que é testado. A tentação irá atacar, geralmente, nossos pontos fracos. A provação, por sua vez,  testa nossos pontos fortes bem como nossos pontos fracos. Assim, podemos ter consciência de como está a nossa fé. Vale lembrar que Jó se tornou  justo aos seus próprios olhos.

Qualquer provação que Deus envia, seja a morte de alguém que amamos ou de um amigo, problemas financeiros, perda, doença, traição, decepção, abuso, desemprego, depressão, acidente, solidão, deve ser vista como tendo as marcas das mãos de Deus em tudo isso.

Essa é a diferença entre a provação e a tentação. Warren Wiersby , comentando sobre essa passagem diz:

“Podemos perguntar: ‘Por que Tiago associa as duas coisas? Qual a relação entre as tribulações exteriores e as tentações interiores?’ A relação é simples: se não tivermos cuidado, tribulações exteriores podem tornar- se tentações interiores. Ao vivenciar circunstâncias difíceis, podemos nos pegar murmurando contra Deus, questionando seu amor e resistindo à sua vontade. Nesse ponto, Satanás aparece com a oportunidade de escapar das dificuldades. Essa oportunidade constitui uma tentação.”

Deus não tenta ninguém. Embora Ele possa permitir isso, a tentação nunca vem de Deus.  Tiago diz que cada um é tentado pelo seu próprio mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido. As palavras arrastado e seduzido, eram aplicadas ao caçador ou, especialmente, ao pescador que atrai sua presa do esconderijo e a prende em sua armadilha, rede ou anzol.  De modo semelhante, o primeiro efeito do mau desejo é tirar o homem de seu repouso original, o segundo é atraí-lo para uma armadilha definitiva.

É muito importante entender que ser tentado não é pecado. O pecado é se entregar à tentação. Cada um de nós tem desejos bons e desejos maus. Ter o desejo de comer um bolo de chocolate não é algo ruim, porém, o desejo de adulterar é mau.

Há, no texto, uma espécie de novela. Envolvemos com o desejo mau, e ele, por sua vez, engravida e dá à luz a um filho chamado pecado. O pecado,  filho gerado, cresce e nos mata.

A morte eterna é algo que Satanás sempre tenta esconder de nós. Tiago diz que uma vez que alguém se entrega aos maus desejos, ele comete o pecado, que por sua vez o mata.

Satanás sabe muito bem como corromper os bons desejos que Deus colocou em nós, como o desejo de ter sexo. Satanás distorce os bons desejos.

Meus amados irmãos, não se deixem enganar. Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, que não muda como sombras inconstantes. (Tiago 1:16,17)

Tiago não quer que nos enganemos a respeito de Deus. Ele não quer que nós, em meio às provações, percamos de vista quem Deus é. Temos de lembrar que Deus envia as provações como um meio para santificar a vida do crente. Todavia, por causa da nossa natureza pecaminosa, somos tentados a duvidar do amor de Deus. Tiago quer nos guardar desse erro.

Mais do que culpar a Deus pela tentação, nós devemos examinar nossa situação. Quando começamos a olhar para as situações, veremos que Deus não nos tenta. Deus  provê o remédio contra a tentação.

Tiago usa dois adjetivos para descrever o dom de Deus: bom e perfeito. Estes dois adjetivos distinguem-se em dois aspectos o dom de Deus. A dádiva, ou o dom de Deus, é bom de tal maneira, que é útil e benéfica. Este dom é perfeito de tal maneira que ele é completo e não falta nada para satisfazer a necessidade do recipiente. Tudo pode ser encontrado em Deus. Mesmo uma provação é boa. Uma provação pode ser útil em nossas vidas, e quando Deus nos envia as provações,  é exatamente a provação que nós precisamos em nossas vidas.

Ao descrever Deus como “pai das luzes”, declaração essa que é única nas Escrituras, Tiago está argumentando que Deus é o criador do sol, da lua e de todas as luzes celestiais. Ele, como criador e mantenedor, é maior do que tudo. Ao falar sobre a imutabilidade de Deus, Tiago diz que Deus não muda como as sombras inconstantes. O argumento do versículo é: o  sol pode mudar ou ser bloqueado de nossa visão aqui da terra; a lua pode ser eclipsada pela terra, mas não há nada que possa mudar a Deus. Ele é fonte eterna de luz perfeita. Deus é sempre o doador das boas dádivas. Deus é o pai das luzes, mas, ao contrário das sombras inconstantes, criadas pelo sol, lua e estrelas, Deus não muda. Deus é sempre o doador de boas dádivas e nada é capaz de mudá-lo.  As pessoas podem não ver a sabedoria de Deus e  até mesmo acusar a Deus por suas próprias falhas, mas  Deus sempre será o doador de boas dádivas. Ele não pode ser responsabilizado pelo mal do homem.

Por sua decisão ele nos gerou pela palavra da verdade, para que sejamos como que os primeiros frutos de tudo o que ele criou. (Tiago 1:18)

Ainda, continuando a falar da bondade de Deus, Tiago lembra aos seus leitores que Deus é tão bom, que Ele, por sua decisão, os gerou através do evangelho. Ao invés de tentar, como alguns poderiam supor, Deus regenera. Se fôssemos deixados a mercê de nossos próprios maus desejos, não haveria esperança; como diz o versículo 15. Apesar de nossa natureza pecaminosa, Deus decidiu nos gerar pela palavra. Quando fala de “primeiros frutos”, isso deve ser entendido como os crentes do primeiro século que se converteram e passaram a fazer parte da igreja. Tudo isso foi possível por causa do sacrifício de Cristo na cruz. O propósito de Deus é que esses cristãos fossem um sinal (primícias ou primeiros frutos) universal da bondade de Deus para todos aqueles que haverão de crer em Cristo.

Meus amados irmãos, tenham isto em mente: sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se, pois a ira do homem não produz a justiça de Deus.  (Tiago 1:19-20)

Ao ler esse texto, aparentemente entendemos que ele se refere aos nossos relacionamentos com pessoas. A maneira que muitos o  interpretam é: “se você quer controlar a sua ira, deve então controlar sua língua; pois, se você for rápido para ouvir, será lento para falar e, consequentemente, lento para se irar”. Embora eu já tenha ouvido muitas pessoas aplicarem o texto dessa maneira, à luz do contexto, podemos perceber que o versículo 19 está se referindo a nossa atitude em relação à palavra de Deus.

O que Tiago quer dizer é que os seus leitores poderiam vir à responder às provações com ira. Sua exortação é que os seus leitores possam ouvir lentamente a palavra de Deus, falar pouco e não se irarem com ela. A ira do homem não  produz um comportamento condizente com a vontade de Deus.

Warren Wiesrby diz: “Não podemos ficar irados com a palavra de Deus, pois ela revela o nosso pecado”. Como um homem que quebrou o espelho por não gostar de ver sua imagem no espelho, as pessoas se rebelam contra a palavra de Deus porque ela mostra a verdade sobre elas e sua pecaminosidade.

Portanto, livrem-se de toda impureza moral e da maldade que prevalece, e aceitem humildemente a palavra implantada em vocês, a qual é poderosa para salvá-los.  (Tiago 1:21)

O termo “livrem-se” é uma metáfora extraída do ato de tirar as roupas. Tiago nos diz que temos de nos livrar da impureza, seja ela física, mental ou espiritual; como um ato de tirar uma roupa suja. Ao falar do “mal que prevalece”, ele pode indicar o mal que praticávamos antes de nos convertermos e que persiste depois do novo nascimento. Também pode se referir aos pecados que se acumulam  em nossa vida e afetam os outros.

Para aceitar a palavra de Deus humildemente ou com mansidão, nós temos de nos desvencilhar da imundícia moral e da maldade que insiste em persistir. Não há como aceitar a palavra e continuar no pecado, é preciso haver arrependimento e confissão deles.

Às vezes lemos a Bíblia, mas não deixamos que ela fale ao nosso coração. Estudamos  as Escrituras de forma acadêmica,  sem sermos afetados por ela. O orgulho, a insensibilidade e o pecado nos impedem de acolher a Palavra. Somente as pessoas de espírito submisso e humilde se beneficiarão plenamente das Escrituras.

Tiago diz que a palavra foi “implantada em nós”. O que ele está dizendo é que a palavra foi semeada em nosso coração e agora temos que acolhê-la, ou seja, viver de acordo com  os seus princípios; pois ela é poderosa.  Essa palavra, de acordo com Tiago,  é capaz de nos salvar tanto do poder do pecado como do juízo divino.

Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos. Aquele que ouve a palavra, mas não a põe em prática, é semelhante a um homem que olha a sua face num espelho e, depois de olhar para si mesmo, sai e logo esquece a sua aparência. Mas o homem que observa atentamente a lei perfeita que traz a liberdade, e persevera na prática dessa lei, não esquecendo o que ouviu mas praticando-o, será feliz naquilo que fizer.  (Tiago 1:22-25)

Depois de falar sobre a nossa necessidade em acolher a palavra com humildade, ele agora ilustra como é que podemos fazer isso. Tiago diz que devemos ser praticantes da palavra e não apenas ouvintes. A grande questão na vida cristã não é quantos sermões nós ouvimos, se fazemos nossa devocional todo o dia, se memorizamos versículos ou  sabemos responder às perguntas da escola dominical . O grande teste é: estamos praticando a palavra? Ter o conhecimento da palavra e não viver de acordo com ele é perigoso.

Há muitas pessoas que “saboreiam” os  sermões que escutam, mas nunca saborearam a graça de Deus. Você pode enganar a si mesmo mas não a Deus. Você pode ignorar tudo o que a Bíblia diz sobre o seu problema com algum pecado, mas Deus não irá ignorá-lo. Não seja tolo. Você não pode mergulhar a ponta do dedão do seu pé na parte rasa da piscina e depois sair por aí dizendo que é um nadador olímpico. Você é salvo pela graça crendo. Como é que você pode dizer que sabe o que a palavra de Deus diz, que você acredita nela e não fazer o que ela manda? Você é um tolo.

Tiago faz uma analogia entre ouvir e não praticar com o se olhar no espelho. Quando acordo pela manhã, entro no banheiro e após lavar o meu rosto, imediatamente, olho no espelho. Se há alguma sujeira nos meus olhos, o espelho vai me mostrar. Mas imagine que após me lavar e olhar no espelho, eu me sente à mesa do café e logo em seguida me esqueço se meus olhos estão sujos ou não. Note que o ato de me olhar no espelho não  me ajudou em nada porque eu me esqueci, eu não prestei atenção no que vi. Não sei se estou limpo ou sujo. O que adiantou me olhar no espelho e depois me esquecer do meu reflexo? Que benefício isso me trouxe?

A Bíblia é como um espelho que mostra toda a sujeira da alma. Se contemplarmos a nossa sujeira espiritual e não fazermos  nada, o que adiantará?

Por outro lado, o homem que ouve e pratica é semelhante àquele que se olha no espelho, vê que precisa pentear o seu cabelo e faz isso. Esse sim será feliz em tudo o que fizer. O benefício da palavra de Deus vem quando há disposição e decisão em obedecer.

Se alguém se considera religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo. Sua religião não tem valor algum! A religião que Deus, o nosso Pai aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo.  (Tiago 1:26-27)

A verdadeira religião não é caracterizada por simplesmente ouvir a palavra, mas por praticá-la, e o ato de refrear a língua é uma maneira prática de fazer isso.

Tiago escolhe um exemplo interessante: os órfãos e as viúvas. A marca da verdadeira religião é fazer alguma coisa por aqueles que não podem retribuir o favor.

Não devemos apenas fazer atos de bondade. Devemos também nos preocupar com nossa própria pureza moral. Não se deixar corromper pelo  mundo significa evitar que pensemos e ajamos de acordo com sistema de valores da sociedade que nos cerca. Tal sociedade reflete amplamente crenças e práticas não-cristãs ou, quem sabe, ativamente anticristãs. O cristão  que vive no mundo corre o constante perigo de ter sobre si a mácula do sistema. É importante e instrutivo o fato de Tiago incluir esta última área, visto que ela penetra além da ação, chegando às atitudes e crenças das quais a ação brota. (Douglas Moo)

Anúncios

Uma resposta em “Capítulo 1

  1. Tiago foi sábio em dizer o quanto é importante sermos verdadeiros discípulos de Jesus, nos tornando, humildes, prontos para servir e cuidadosos no falar. Colocando em prática a palavra que dá vida e esperança, levando a outros o verdadeiro evangelho da salvação.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s